No início da semana, Beck Hansen publicou em seu site o vídeo de sua rendição para “Grey/Afro“, canção que encerra o disco Oar, de Alexander “Skip” Spence, lançado originalmente em 1969. Com isso, Beck conclui mais uma incursão de seu coletivo Record Club, projeto iniciado em meados de 2009 que consiste em reconstruir álbuns clássicos sem ensaios prévios e em menos de um dia. Idealizado e capitaneado pelo próprio Beck, o Record Club é classificado justamente dessa forma: como “uma reunião informal de vários músicos para gravar um álbum em um dia”. Entre esses “vários músicos” estão Jeff Tweedy, Devendra Banhart, Leslie Feist, Jamie Lidell, Nigel Godrich, entre outros.
Record Club: Skip Spence “Cripple Creek” from Beck Hansen on Vimeo.
Oar é o terceiro trabalho do coletivo, que em seu pouco tempo de vida já homenageou The Velvet Underground & Nico e Songs Of Leonard Cohen.
Apesar de despretensioso, boatos dão conta de que Beck abandonaria sua bem sucedida carreira solo — o último álbum, Modern Guilt, foi lançado em julho de 2008 — para dedicar-se (não exclusivamente) às gravações do Record Club. Recentemente, o músico norte-americano produziu IRM, registro de Charlotte Gainsbourg, e está cuidando da produção do vindouro disco de Jamie Lidell, Compass, a ser lançado ainda esse semestre.
Não se sabe até quando irá durar essa fase altruísta de Beck, mas a julgar pelo nível dos trabalhos até agora divulgados, ele merece muita atenção, independente de colocar um álbum autoral nas prateleiras ou não. Se bem que Beck sempre mereceu muita atenção. E respeito.
Post scriptum: Apesar de pouco conhecido do público brasileiro, Alexander Lee Spence possui currículo curto, mas invejável. Durante os anos 60, integrou as bandas Jefferson Airplane e Moby Grape, dois nomes seminais do rock psicodélico, até entrar em colapso e ser internado em uma clínica psiquiátrica. Durante sua estadia em Bellevue, registrou Oar em um gravador de três canais. O clima intimista e perturbado do disco rendeu ao músico a alcunha de “Syd Barrett americano”. Skip Spence viveu até 1999 e deixou apenas este disco gravado. No mesmo ano de sua morte — e aniversário de 30 anos de Oar — o seu único disco foi revisitado (em um tributo oportunamente intitulado More Oar) por diversos artistas, como Robert Plant, Mark Lanegan, Tom Waits, além do já citado Beck Hansen. Não tem como não valorizar alguém que tem esses nomes lhe prestando tributo. Tem?